Programa “Mais Habitação” pode levar a aumento de preços e redução da oferta

Investidores consideram que algumas medidas do programa podem levar a efeitos contrários ao que é pretendido.
Freguesia de Estrela/Unsplash
Este artigo foi publicado há, pelo menos, 12 meses, pelo que o seu conteúdo pode estar desatualizado

Um dos principais objetivos do pacote governamental “Mais Habitação” é o permitir o aumento da disponibilidade de casas e apartamentos no mercado. No entanto, não deverá ser isso que acontecerá.

Segundo a edição desta quarta-feira do suplemento Público Imobiliário do jornal Público, a esmagadora maioria dos promotores imobiliários antecipam que o mercado residencial nacional vai-se ressentir com as medidas anunciadas pelo governo de António Costa, fazendo com que os investidores estejam a perder a confiança. O mais recente inquérito realizado pela consultora Confidencial Imobiliário e pela Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) revela que 91% dos promotores inquiridos acredita que o pacote “Mais Habitação” levará a menos oferta de imóveis para venda e, portanto, a um aumento dos preços.

O diretor da Confidencial Imobiliário Ricardo Guimarães diz mesmo que os promotores estão a fazer uma “avaliação negativa em todos os parâmetros” e que em muitos deles “o programa parece até produzir efeitos inversos aos pretendidos”: “Irá afetar a confiança dos investidores, provocando uma quebra na oferta, da qual decorrerá um estímulo ao aumento de preços”, diz o responsável.

No entanto, os inquiridos consideram que há aspetos positivos, ainda que de forma marginal. A simplificação dos processos de licenciamento é vista como algo positivo por parte dos investidores, apesar de quase metade achar que a medida também não terá os efeitos esperados. Aliás, o tempo de licenciamento e a burocracia são percecionados como um dos principais obstáculos à atividade imobiliária, aliado à instabilidade legislativa e fiscal causada pelo novo programa.

Outros dos problemas que é agravado pelo novo programa é a falta de atratividade da construção para o mercado de arrendamento (o chamado “build-to-rent”). O inquérito da Confidencial dá nota que apenas 12% dos investidores considera o arrendamento atrativo, face aos 40% do trimestre anterior. E os investidores que consideram este mercado completamente inviável subiu de 14% para 32%.

A perspetiva dos investidores é que o trimestre seja de redução de oferta e de suavização da subida ou mesmo da estabilização dos preços.

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